E o nosso Padre-cura?

Talitha

Um velhinho bondoso,
que vive para o bem e sobre os pobres vela!
Supponho que elle tenha a cabeça bem branca,
o olhar muito suave e d'expressão tão franca,
que appareça na face enrugada e senil
a dôce candidez da sua alma infantil...
E, cogitando assim, parece-me que vejo,
dos altos de uma torre, a uma enorme distancia,
como um jardim florido, a minha dôce infancia
vicejando a sorrir, a sombra do seu braço,
e o seu olhar de Pae enchendo todo o espaço
de luz, de muita luz, tão dôce e tão leal,
como o luar banhando as ondas de um trigal
numa noite estreitada, e o sangue me palpita
no seio, e o coração ardentemente agita
na immensa anciedade afflicta e pressurosa
de poder innundar a sua mão rugosa
de lagrimas febris e de beijos sem fim.

Ruy

Tantas coisas ao Cura e nada para mim!...

Talitha

Exactamente, Ruy; a saudade de vêl-o
augmenta a cada instante o meu triste flagello,
porque nos braços delle um dia adormeci
e não despertei mais... e ao Ruy...

baixando a voz

eu nunca vi...

Ruy, com caricia