Os melhores graõs, sam os que vem de Sicilia, do Leuante, & de Hespanha; sam pequenos, pardos escuros, & muito redondos, & para conhecer sesaõ mortos, ou falsificados, se quebrara hum entre as vnhas, & se lãçar bem de humor luzente, he sinal de bondade.
Os graõs de Piemonte, nam saõ tam bons, como os de Hespanha.
Os de Bolonha saõ iguaes na bondade, pello cuidado, que naquella Cidade se poem, em os tirar, como ordinario trato della.
Os de Messina saõ os que mais se estimaõ em Europa.
Em conhecer os graõs ha algũa difficuldade, porque a semente das borboletas, que se nam jũtarão com os machos, tem a mesma cor, o mesmo pezo, & quebrada lança a mesma humidade, & nam tem seruiço algum, como tambem a semente feita de borboletas, sahidas de casulos pequenos, cuja seda nam tem a bondade ordinaria.
Para euitar estes inconueniẽtes, he preciso, valerse de correspondencias fieis, nos lugares aonde se compram.
Os primeiros a enganàr, & ser enganados, sam os que fazẽ trato desta mercancia, porque comprão quantidades grandes; o mais seguro he, quando se encontram nouidades boasde bichos, ter cuidado de guardar as sementes, na forma, que se dirà no fim deste Tratado.
Nam he necessario guardar, senão a quãtidade, que se pode criar; para hũa onça de graõs, bastaràõ duas, ou tres amoreiras grandes, ou cinco, ou seis pequenas.
Posto que os graõs dos bichos da seda, se animão de si mesmos, logo que o calor da Primauera os aquenta, he conueniente cobrilos, por duas razoens.
Primeira, por anticipar a criação às calmas de Iunho, & antes que as amoras sejam maduras, porque a folha he mais difficil de colher, & as amoras lhe communicaõ demasiada humidade.