CORO

O Bom Deus que proteje a innocencia,
De quem são nossos cantos de amor;
Desherdada é sómente a existencia,
Do infeliz que descrê do Senhor!

Onde o bem? Onde o mal? nós no mundo
Como iremos a vida encontrar?
Neste valle enredado e profundo
Quem nos ha de o caminho apontar?

O Bom Deus que proteje a innocencia,
De quem são nossos cantos de amor;
Desherdada é sómente a existencia,
Do infeliz que descrê do Senhor!

Quem virá ser-nos pae na orphandade?
Consolar nossos dias de dor?
Circundar-nos depois noutra edade,
De delicias, de sonhos, de amor?

O Bom Deus que proteje a innocencia,
De quem são nossos cantos de amor;
Desherdada é sómente a existencia,
Do infeliz que descrê do Senhor!

Dos thesouros de affecto que encerra
Entre vós maternal coração,
Quem vos faz a nós orphãos na terra,
Repartir d'esse affecto um quinhão?

O bom Deus que proteje a innocencia,
De quem são nossos cantos de amor;
Desherdada é sómente a existencia,
Do infeliz que descrê do Senhor!

E esse affecto ideal que illumina
O existir de um reflexo do ceo,
Que a soffrer e que a amar nos ensina,
Quem no peito materno o accendeu?

O Bom Deus que proteje a innocencia,
De quem são nossos cantos de amor;
Desherdada é sómente a existencia,
Do infeliz que descrê do Senhor!