É, comtudo, incontestavel que uma enorme sympathia concebeu por nós, e tanto que não se poupou a prodigalisar aos seus mais affeiçoados, mais escolhidos, mais protegidos, e mais amados, exhuberantes provas dos seus principescos sentimentos.

Ninguem, aposto!, ainda se esqueceu d'esses mais que famosos banquetes, a que concorreram quasi todas as notabilidades nacionaes, quasi todos os genios que tanto abundam n'este paiz abençoado. E que festas não foram aquellas, ruidosas, sumptuosas, magestosas, celebradas ao som festival de atroadora algazarra d'etiqueta principesca; festas em que as saudações ardentes se trocaram com as mais enthusiasticas convicções que o Champagne benefico podia inspirar; em que os pacatos nomes portuguezes foram profanamente assassinados, para cederem o logar muito resignadamente, a outros d'origens incomparavelmente mais honorificas, e significativas; finalmente, em que o delirio por vezes tomou atroadora parte em manifestações febris!

Oh! não! não é possivel acreditar-se que tão amavel princeza, assim prodiga, bemfaseja, protectora, obsequeiadora, galanteiadora, tudo fizesse com intenções perfidas, com o estulto capricho de abusar de todos os seus reconhecidos convivas, até ao ponto nefando de os disfructar ignobilmente!...

A senhora Maria, convençam-se d'isso, não anda, de modo algum, de má fé comnosco. Asseguro-o.

Ella trata-nos mal, convenho. Mas, porque demonio ha de a gente ir logo pensar que seja puramente ella, uma pessoa tão boa, tão galante?...

Bem sabem que em toda a parte ha máos... secretarios, enganadores oraculos, perversos conselheiros, que podiam muito bem aproveitar o ensejo de satisfazer odios pequeninos, ao prestar á inoffensiva senhora as ajudas que ella confiadamente requisitasse dos seus estomagos recompensados.

Antes de a criminarmos, é dever geral procurar perceber na sua proza traquinas, o trilho lodoso d'algum machiavelico denunciador.

III

Não serei eu que, não obstante, a queira já absolver peremptoriamente.

É certo que a questão está perfeitamente ás escuras, e portanto o mais racional é indubitavelmente inculpar a princeza signataria, deixando em paz qualquer assoprador, que aliás tem a attenuante de ser convidado a entrar na insidiosa collaboração.