—Olhe, tio Simões, na vespera tinha assistido ao pagamento da féria, o que meu pae, que Deus haja, fazia todos os sabbados á noite, e ao vêr seguirem-se uns após outros os trabalhadores da fazenda, disse com Deus e comigo:—porque não hei de eu trabalhar? Porque não hei de ganhar tambem a minha féria? Eu tambem sou homem.

—E disseste bem, Thomaz, era uma boa palavra essa. Mas depois?...

—Depois, fui deitar-me resolvido a pedir tambem que fazer na segunda feira seguinte a meu pae; mas no domingo era dia de festa; fui á Egreja ouvir a missa, e fiquei para o sermão.

—E...

—Começou o sr. prior a dizer o que eu lhe repeti, ha pouco...

—E como tu não ias de vontade para o trabalho, quadrou-te o sermão, não é assim?...

—Não diga tal, tio Simões, sabe Deus se eu tinha ou não feito proposito de mudar de vida: tanto que, ao principio, fiquei sobresaltado, e como não querendo acreditar... Mas vi a cara do bom padre, dizia tanto, tinha uma tal expressão de bondade, um tal não sei quê na physionomia... Era impossivel, tio Simões, que não fosse allumiado pelo ceu.

—Mas como aprendeste tudo isso?

—No dia seguinte fui ter com o sr. padre prior para que me ensinasse aquellas palavras, disse-me que estavam n’um livro, e d’ahi eu... pedi-lhe que me explicasse como as havia de lêr...

—E elle?