*D. FRANCISCO XAVIER DE MENEZES*
Quinto Conde da Ericeira, do conselho de Sua Magestade, Sargento mór de Batalha dos seus Exercitos, Deputado da Junta dos Tres Estados, Perpetuo Senhor da Villa da Ericeira, e Senhor da de Ancião, oitavo Senhor da Caza do Louriçal, Commendador das Commendas de Santa Christina de Sarzedello, de S. Cipriano de Angueira, S. Martinho de Frazão, S. Payo de Fragoas, de S. Pedro de Elvas, e de S. Bertholameu de Covilhã todas na Ordem de Christo. Academico da Academia Real da Historia Portugueza, e um dos cinco Censores della.
Meu Senhor aonde não chega a confiança propria, é necessario buscar o amparo alheio. É tão elevada a Magestade, que nem ainda obsequioso me atrevo a chegar a ella: e por esta cauza procuro o patrocinio de V. Excellencia para que com a sua pessoa consiga o que por mim não posso. Espero que V. Excellencia se digne de me fazer esta mercê, porque a continuação dos seus estudos, e a grande livraria que tem junto a sua erudição, justamente me desculpa para lhe pedir a protecção para um livro, que como de Historia da Patria precede a todos na lição, e porque sendo offerecido a Sua Magestade pela mão de V. Excellencia terá a acceitação que dezejo. Deus guarde a V. Excellencia muitos annos.
Criado de V. Excellencia
Miguel Lopes Ferreira
*AMIGO LEITOR*
Não me podes accuzar de falto de palavra, pois vês que te dou agora a Chronica del-Rei D. Affonso III que foi o Quinto Rei desta Monarchia. De serem breves as narrações das suas vidas, e summamente compendiadas as noticias dos seus governos, não tenho eu a culpa, tem-na os Chronistas que, ou não quizeram, ou não souberam. Tudo podia ser, porque a falta em semelhante materia procede umas vezes de não haver quem informe, e outras de não escreverem, o que todos sabem. Donde nasce que deste principio experimentamos o dano, porque desprezaram escrever o que era sabido, e desta sorte padecemos uma involuntaria ignorancia. Cazou este Principe em França donde esteve, e assistiu alguns annos, e sendo impossivel que não fizesse naquelle tempo acções dignas da sua pessoa, ou na paz, ou na guerra, tudo ficou sepultado em um profundo silencio, de que são reos os que escreveram primeiro. Ainda depois de nomeado Governador de Portugal, e ainda depois de ser Rei não houve aquelle cuidado nas penas dos Chronistas, que merecia a sua politica, que não foi nesta grande arte inferior aos maiores. Lê, e espera que brevemente te busque com a Chronica de seu filho o famoso Rei D. Diniz.
Vale.