Não foram um simples vicio, uma vã ostentação, e um estulto prurido que nos levaram a condemnar aquillo que, por sua natureza, deve ser exemplar, vivo e sacro-santo.
Não! Se condemnámos o máu padre, como planta nociva á humanidade, foi por um dever.
Quem tem irmãos, e filhas e esposa, não póde existir ao acaso, sem a necessaria superintendencia em todos os actos da sua vida, d'ellas.
A mulher, que do collegio não tirou a educação conveniente, que um dia experimentou a immoralidade do confessionario e os espinhos do mundo, póde ser tudo, menos uma esposa, menos uma irmã, menos uma mãe.
O padre toma parte nas scenas mais luctuosas da familia: se adoecemos, é elle que nos traz o balsamo ao espirito em trévas; se desesperamos, é elle que nos faz ver o iris da bonança; se hesitamos, é elle que nos encaminha e nos dirige.
Então, e porisso mesmo, é que o padre deve ser um bom homem.
O esboço que no precedente capitulo deixámos delineado, posto que excepção, foi por nós fielmente observado.
Que se não illudam os espiritos timoratos e frageis. Quando máu, ninguem mais severamente merece ser condemnado do que o padre.
Nas aldeias os exemplos multiplicam-se. A ociosidade, por um lado, e o celibato, por outro, muito têm concorrido para essa cadeia de lorpesas, a cada passo relatadas na imprensa e nas differentes casas de reuniões publicas.
O fanatismo nunca foi religião. Seguir os preceitos do Evangelho, não é perfilhar as doutrinas do sr. Sousa Monteiro nem as diatribes da Palavra.