[Epilogo]
Hontem o amor; hoje a pobreza; amanhã o esquecimento.
[Post-scriptum]
(Ao leitor)
Este romance não mira aos applausos da galeria. Tão pouco prima, nem pelo complicado do enredo nem pelo difficil das situações. São capitulos singelos, estes, que acabam de lêr-se, só pela arte inspirados e por amor d'ella concluidos.
E a arte é a verdade.
Por muitos hão de estas paginas ser aborrecidas. Por muitos hão de ellas ser odiadas. Nada importa. A consciencia acima de tudo.
Entendeu o auctor que era sobre tudo descriptivo o romance moderno, profundamente descriptivo, cheio de analyse, critica, de bom-senso e da naturalidade; de pouco dialogo e de muita observação; havendo todo o escrupulo em pôr de parte o devaneio, na dissecação dos homens e das cousas.
Ao ideal d'este livro presidiram, pois, as realidades presentes e passadas. O typo da Viscondessa, atraz esboçado, poderá não agradar a todos, é verdade; mas é, no entanto, um typo real, perfeitamente real. Uma mulher ingenua, simples, caprichosa, sacrifica o seu coração, a sua tranquillidade, o seu amor a um elegante rapaz, filho dos restaurantes, e, como os restaurantes, viciado e corrupto. D'aqui a perdição da heroina e o triumpho do galã.
Outro tanto succede com a figura angelica da aldeã. Victima do confessionario, cahiu, andorinha ferida, a quem roubam o ninho e os filhos; sedenta de prazer, resvalou no abysmo.