Seriam dez horas da noite, quando, depois de concluidos os assados--patos com azeitonas, perús com truffas e espargos--se começou a tirar o doce. Comiam uns podim saboyon au rhum e outros bavaroise de fruta. O licôr escolhido era o Chartreusse. Alfredo, erguendo-se, propôz um brinde.
«Bebo á saude da senhora viscondessa--exclamou elle--á saude da sua felicidade, e á saude de seu futuro filho.»
E, sem mais poder suster-se de pé, cahiu sentado na cadeira. Todos o olharam com um olhar interrogativo. A viscondessa, encarou-o, com uma santa e terna delicadesa. Os outros, por prudencia, calaram-se.
Cá fóra numerosas tropas atravessavam as ruas. Portugal, constitucional, saùdava o seu nunca--esquecido vinte e quatro de Julho.
Terminados os brindes, que foram immensos e ruidosos, continuaram todos para o salão. Só Alfredo, por confiança na casa, ousou ficar á mesa, a cujo extremo adormeceu. E, suspeitando que fumava, dormiu um longo e pesado somno.
Quando realmente deu por si soavam tres horas nos relogios da casa. Meio adormecido e meio acordado, olhou e viu duas sombras, que, a um recanto do aparador, se agitavam docemente. Aproximando-se mais reconheceu então uma das creadas da casa, conversando airosamente com um garboso gentil homem.
--Ora pois!--regougou elle.--Nem mais nem menos. Tudo corre bem e todos teem rasão...
E sahiu, assobiando a carta adorada da Grã-Duquesa.
Na carta que eu tive, Amelia formosa,