--Como se chama?--interrompeu a senhora.

--José Xavier.

--José! pois bem: agrada-me o nome. Póde ficar. Virginia que lhe diga o que tem a fazer.

E, sem mais, virou-se a viscondessa para o outro lado, retomando a primitiva posição.

Ao jantar alguns incidentes notaveis se deram. Julio servia á mesa. Com os olhos sempre fitos na Viscondessa mal pestanejava, o pobre do rapaz. Por algumas vezes lhe cahiram os pratos da mão; por algumas vezes substituiu um prato lavado por um outro sujo; por algumas vezes se riu Virginia a bom rir. Para tal, porém, nem sequer a ama reparou em meio das suas caprichosas divagações.

Os dias iam correndo em silencio. Julio, ardendo em amor, seguia, como um cão, os mais insignificantes passos da Viscondessa. Quando ella passava pelo corredor, occultava-se atraz das portas; se podia, beijava-lhe a fimbria do vestido; quando ella sahia, entrava-lhe no quarto de vestir e ali se ficava horas esquecidas n'uma d'estas allucinações que só conhecem os espiritos febris e nervosos. N'um momento de cegueira, roubara-lhe o, retracto do album; com elle adormecia todos os dias, e com elle tambem entrava no serviço da casa.

Entretanto o diabo arma-as, quando menos a gente as espera.

Julio penetrára no quarto de sua ama. Involuntariamente se demorou mais do que o costume. A Viscondessa entrou cêdo n'esse dia. O escudeiro mal tivera tempo de se esconder d'entro de um guarda-roupa.

Ia Virginia, segundo o seu habito, a abrir o armario; quando Julio, dando um pulo para fóra, deixou espavoridas ama e creada.

--Ai! credo! Jesus! gritou Virginia--Ladrões em casa; ladrões, minha senhora.