Um dia virou-se elle para a esposa, e disse:
--Ó Felisbella, se tu quizesses, uma vez que foi esteril o nosso matrimonio, traziamos um rapasito para casa, e adoptavamol-o como nosso filho? Que dizes?
--Olha, menino--tu bem sabes que eu estou por tudo o que tu quizeres. Vae tu mesmo a um asylo se assim te apraz, e escolhe-me lá um pequenote; mas que seja bonito, entendes?
--Pois está dito, mulher! amanhã tratarei d'isso.
E, com taes intenções, deitou-se á noite o sr. Francisco Alves, n'um bello colxão de commoda lã.
Veio o rapaz para casa. A sr.a Felisbella queria-o para doutor, o sr. Francisco, para merceeiro.
O pequerrucho era engraçado, muito engraçado, cheio de bons ditos e de palavras amaveis.
Á sr.a Felisbella tratava elle por mamã, e ao sr. Francisco por papá.
--Sempre tem uma graça, este pequeno!--dizia o Alves, ás vezes para a mulher.
--E os ditos então? se tu lh'os ouvisses... retorquia a bondosa da sr.a Felisbella.