E Julio, ajoelhando, beijou as mãos convulsas da sr.a Felisbella de Menezes.
[XXV]
Mais confidencias
Para muito se amar, quer-se silencio e solidão--dizia Balzac.
O amor é por natureza melancholico. Quem ama, soffre. A melancholia não é uma doença physica, é apenas uma enfermidade moral.
Uma cousa é a tristesa, outra cousa é a melancholia: a primeira parte da intelligencia e é, por via de regra, filha de intimas preoccupações; a segunda origina-se no coração, e nasce de um sentimento, que só por meio da pallidez do rosto exteriormente se manifesta. A velhice é quasi sempre melancholica.
Entre a melancholia e a saudade existe uma profunda analogia: ambas se concentram e ambas se alimentam no mesmo ideal, no amor.
A sr.a Felisbella de Menezes, nos seus dias de vagar, sentava-se á janella, e apoiando o queixo sobre as mãos, olhava vagamente as montanhas, os rios e o céu.
Atravez a nuvem que passa e a estrella que scintilla e a lua que enbranquece, existe sempre uma doce esperança infinita, ethérea, incommensuravel, que nos é como que o acordar de um sonho de primavera.
Esperar é desesperar--diz o rifão. E entretanto todos esperam; porque a esperança é o futuro, o glorioso amanhã da humanidade que soffre.