--Que quer aqui?, perguntou Julio.

--Eu senhor, sou pobre, não tenho cama, nem pão...--respondeu o desgraçado.

E Julio, tirando uma libra do bolso, disse:

--Póde procurar-me todos os mezes para receber egual quantia.

E seguiu para o trabalho.

Julio transformára-se, pois, n'um homem severo, sem as paixões que arrebatam, nem os egoismos que offendem. Á parte a propria felicidade e a da sr.a Felisbella, a quem elle tratava por mãe, pouco mais lhe interessava n'este mundo.

Com a convivencia dos homens tornara-se concentrado, desconfiando de tudo e de todos. Advogando de preferencia os proprios interesses, era, todavia, generoso, para quem o devia ser.

Os pobres conheciam-no de longe. E Deus abençoava-lhe as acções, tornando-o um homem rico, forte e corajoso.

[XXXI]

O que faz o talento