isto é:
--campo e mar--
Que s. s.as, os senhores facultativos, se não irritem comnosco por tão interessante descoberta.
[XXXIV]
Latet anguis
A primavera, a doce filha da harmonia e da luz, desentranhava-se em flôres e fructos. Rejubilavam as aves no arvoredo frondente. O céu era azul, limpido. Nem uma nuvem lhe maculava a superficie chrystallina e pura.
Nada mais delicioso do que esta rapida transição de uma estação, agreste e fria, para uma outra agradavel e sympathica. Dir-se-hia que um velho, sulcado do rugas, se metamorphoseára subitamente, como o Fausto, n'um elegante moço, cheio de vida e de aspirações.
As arvores, toucadas de flôr, recebiam das auras vaporosas o amoroso abraço de todos os annos. O sol, dourando com as suas palhetas luminosas os arbustos vividos e scintillantes--reflectia-se suavemente sobre as aguas do ribeiro, que, em amoravel ondulação, serpeavam atravez os terrenos pedregosos, parando, ora atraz de um rochedo, com o qual confidenciavam ternamente, ora atraz de uma planta, com a qual se enroscavam de passagem.
Ao longe os pinheiraes acordavam as solidões com as vibrações da sua harpa plangente. O rouxinol, casto como a andorinha, desferia a medo o seu eloquente hymno de amor. É que elle o artista, filho do céu e do canto, pressentira, primeiro que nenhum outro ser da creação, o aproximar alegre do sol e da vida.
Meiga como uma mãe dedicada, a pomba, symbolo de virgindade, arrulhava de manso, muito de manso, como amante que não deseja ser escutada. E a aguia, a altiva rainha do espaço, guindara-se, por entre nuvens, até ás ignotas regiões do infinito.