Conta-se que um alcaide hespanhol se compromettera certo dia a fazer tres discursos numa dada povoação.
Chegou o primeiro dia, e perguntou á turba:
—Entenderão o que lhes vou dizer?
Ninguem respondeu.
—Pois se não têm de entender-me é escusado pregar no deserto.
No segundo dia voltou, e repetiu a mesma pergunta.
—Sim! responderam todos, já zangados com a occorrencia do dia anterior e desejosos por saber o que tão illustre orador d'elles queria.
—Nesse caso, se comprehendem, são inuteis as explicações.
Chegou, porém, o dia da terceira e ultima prelecção, e o povo concordou em responder indistinctamente.
—Serão capazes de perceber qual é o fim do meu discurso?{27}