É raro o dia em que ali não passeiam de quinhentas a mil carruagens, vendo-se frequentemente dentro d'ellas rostos formosissimos, adornados de bellos olhos, profundos e escuros, como só os sabem ser os olhos hespanhoes.
Com dois ou tres passeios ao Prado quasi se fica conhecendo toda a sociedade madrilena, nas suas distincções e nos seus vicios, nas suas virtudes e nos seus erros.
E depois—que mulheres!
A uma historieta assisti eu, divertidissima por signal e extremamente curiosa.
Um amigo meu, amoroso e simples, encontrou-se um dia profundamente apaixonado por uma gentilissima menina, que todas as tardes ali costumava expôr-se á admiração geral dos passeiantes e dos leões da moda.
Até aqui, já se vê, nada de extraordinario.
O ingenuo rapaz, porém, não se podendo mais conter, entrou-se tristemente na{137} desgraçada usança portugueza, e abeirando-se da mulher, fez-lhe a seguinte declaração:
—Deponho aos seus pés, minha senhora, a mais pura e sincera homenagem dos meus respeitos e do meu amor...
Ao que a deusa respondeu:
—Ai! que graça!... Se o cavalheiro soubesse em que eu agora estava a pensar?!...