Na poesia avultam Zorrilla, um lyrico surprehendente; Campoamor; Garcia Gutierres, de quem se diz que nasceu com o Trovador e que morreu com D. Urraca; Ventura Ruiz Aguillera, auctor de um famoso livro de satyras; José Martinez Villergas, egualmente satyrico: Roberto Robert, espécie de Voltaire no arrojo da palavra e do conceito; Grillo, Gaspar Nunes de Arse, Espronceda, José Eshegarai, Hartzenbusch, Antonio Arnao, Antonio Hurtado, José Selgas, tambem prosador, Trueba, Carlos Frontaura, Carlos Rubio, Larra e outros.
Passando da poesia para a politica, são tantos os nomes, que difficilmente seria possivel recordal-os a todos.
Quando estive em Hespanha, contava-se uma anecdota curiosa de Emilio Castelar.
Dois estudantes da escola medico-cirurgica de Lisboa tinham ido a Madrid assistir á entrada de D. Affonso XII na cidade, depois de concluida a guerra carlista.{166} Era dia de sessão no congresso. Fallava Castelar. Nas tribunas agglomerava-se o povo. Difficilmente se obtinha um logar.
Um dos estudantes, porém, reflectindo no caso, entrou numa mercearia, e escreveu a Emilio Castelar as seguintes linhas:
«Estão aqui dois portuguezes, seus admiradores, que desejam ouvil-o.»
O merceeiro, que viu que a carta era subscriptada para o insigne orador, não lhes levou nada, nem pelo papel, nem pela tinta.
Castelar leu o bilhete, e immediatamente sahiu do congresso, a fim de introduzir os dois estudantes na tribuna, reservada á diplomacia.
Quando acabou de fallar foi ter de novo com os dois estrangeiros, e offereceu-lhes os seus serviços e a sua pessoa n'aquella cidade.
Este traço revela bem as brilhantes qualidades, que caracterisam Emilio Castelar.