--E que faria hoje a esse homem se, por acaso, o encontrasse?--interrompeu finalmente Alberto de Carvalhal.

--Perdoar-lhe-ia, como expressamente m'o ordenam os preceitos de Christo.

--Ora até que emfim! sou feliz, meu amigo. Deus seja louvado!--exclamou Alberto, cahindo aos pés do padre Francisco de Castro, que debalde procurou sustel-o em seus braços.

Quem era pois Alberto de Carvalhal, já o leitor, de sobejo, o terá imaginado. E a razão por que elle sempre se conservara silencioso, no decurso da triste narrativa do padre Francisco de Castro, facil nos será suppor tambem, por isso mesmo que elle não fazia mais do que ouvir, em parte, a sua propria historia, e chorar nos seus proprios infortunios.

EPILOGO

Dois annos depois Alberto era monge benedictino. Ao cilicio do penitente junctara elle as lagrimas d'um peccador contricto.

O padre Francisco de Castro, ao receber esta nova, que lhe era de tanto prazer e consolação, deu-se pressa em ir abraçar o seu amigo, e, por longo tempo esquecidos, permaneceram nos braços um do outro, extasiados da mutua ventura e jubiloso alvoroço.

A felicidade os acompanhe! Que a gloria do Eterno lhes alente o espirito por entre as lagrimas e abrolhos d'este mundo, e que a certeza d'um beatifico porvir os inicie na practica das grandes virtudes!...

[A FATALIDADE E O DESTINO]

A FATALIDADE E O DESTINO