Saudemol-o calorosamente, e, n'elle, os bravos legionarios, seus compatriotas, que o acompanharam a Roma. É o Pedro, o Eremita, da nova cruzada do livre pensamento, destinada a vingar a memoria de todos os martyres da sciencia, que a Egreja, o clericalismo e a Inquisição condemnaram á pena ultima, entre os quaes figuram Miguel Servet, em Hespanha e Antonio Jose, o Judeu, em Portugal.
Saudemol-o e acclamemol-o, cobrindo-o de flôres, e beijando-o como ao nosso maior e ao nosso melhor evangelista.
Homenagem a Combes
Como complemento e digna coroação d'esta noite memoravel, proponho que seja enviado a Combes o seguinte telegramma:
«Ao valente e denodado defensor dos Direitos do homem, encarnação viva do principio republicano, a Combes, chefe do governo francez, saúdam os livres-pensadores portuguezes, pela sua gloriosa campanha em favor da Razão, da Sociedade Civil e da Republica, fazendo votos por que complete a obra de saneamento moral, tão brilhantemente encetada, como lição, exemplo e ensinamento aos povos que gemem ainda escravisados sob o jugo do despotismo clerical.»
A assembleia manifestou-se n'este sentido e a sessão terminou aos gritos de Viva Combes! Viva a democracia! Viva o livre-pensamento! Viva Fernando Lozano!
A lei de 13 de fevereiro
Alludindo á saudação, dirigida pelo congresso, a todas as victimas do despotismo e da oppressão, exhortámos todos os que nos escutavam a adherir á nobre campanha, campanha de justiça e de solidariedade humana, levantada contra a monstruosa e barbara lei de 13 de fevereiro, que representa uma mancha para um paiz que pretende passar por civilisado, pedindo que o nome de Bartholomeu Constantino fosse acclamado como protesto contra o abominavel decreto.
Torna-se indispensavel uma propaganda tenaz e persistente, afim de provar ao estrangeiro que a democracia não é uma palavra vã em Portugal. A lei de 13 de fevereiro não é só uma monstruosidade; é tambem uma deshonra que deve ser eliminada, por dignidade de todos e até do proprio governo.