«Os trabalhadores tomaram a iniciativa da celebração de uma festa annual, com o fim de honrar o trabalho. Peço por isso, á camara que decrete, no sentido de considerar esta festa nacional.
Os poderes publicos, cuja missão consiste em dar satisfação ás aspirações do povo, não podem senão associar-se a um sentimento tão elevado, demonstrando assim o desejo sincero em que estão de examinar, para as attender, as justas reivindicações dos trabalhadores que constituem a immensa maioria do paiz.
«Por estas rasões, tenho a honra de submetter á camara o seguinte projecto:
Art.º unico—O 1.º de Maio é declarado o dia da festa nacional e annual do trabalho.»
Michelin deseja, por este modo, consagrar o 1.º de Maio, assim como se tem consagrado o 14 de{196} julho que é o dia da festa da Republica. Perderia a festa dos operarios, n'este caso, o seu caracter de resistencia, e converter-se-hia n'uma celebração pacifica do trabalho. Nada mais nobre e digno! Aos termos da proposta, associou-se enthusiaticamente o grande poeta socialista, Clovis Hugues, embora outros divergissem por desejarem conservar ao 1.º de Maio a sua feição, radical e revolucionaria, de combate e de opposição ao existente.
De um ou de outro modo, a celebração do 1.º de Maio não deixará de fazer-se.
Ha um problema a resolver. É a questão magna do seculo. Ou os governos o resolvem, ou as sociedades terão de passar por um cataclismo terrivel.
É este o dilemma. E da solução do assumpto dependerá, no futuro, a felicidade e o bem-estar dos povos!
[FIM]
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