N'uma palavra, cooperadores e socialistas são militantes na mesma obra de renovação e de justiça. Os trabalhos de uns e as luctas dos outros completam-se mutuamente, e a sua união apressaria o dia, por todos desejado, da emancipação humana.

Associamos-nos pois, de todo o coração ao generoso appêlo dirigido aos socialistas por Louis Bertrand, que é, ao mesmo tempo, um dos primeiros vulgarisadores do collectivismo e um cooperador pratico.

«Á obra pois, companheiros, á obra! Não esqueçais nunca que qualquer nova sociedade cooperativa é um passo a mais para a sociedade do futuro, a sociedade que sonhamos, feita de justiça e de solidariedade,{104} e na qual todos encontrarão o seu bem-estar em troca de um trabalho facil e remunerador.

«Mas não olvideis, sobretudo, que o fim a attingir não se limita a beneficiar ou a fazer beneficiar os operarios de alguns francos por semana ou por mez, e que é preciso ter sempre em vista o fim supremo: a libertação completa da classe operaria pela suppressão do salariado e pela applicação das doutrinas socialistas.»[[4]]

Na cooperação belga destacam-se cinco grandes realisações, porventura as primeiras e as mais solidas realisações do principio cooperativista: a sociedade do Vooruit (àvante), de Gand; o Progrés, de Jolimont-La-Louvrière; a Maison du Peuple, de Bruxellas; o Werker, d'Anvers; e a Populaire, de Liége.

A mais importante, o Vooruit, possue uma padaria, officinas de calçado, de vestuario, de quinquilheria,{105} armazens de carvão e um café restaurante onde é prohibida a venda de bebidas alcoolicas. O Vooruit possue tambem uma caixa de soccorros, sendo os doentes curados gratuitamente. O jornal que se intitula Vooruit tira por dia 10:000 exemplares. A sociedade Vooruit tem 40 administradores e 150 empregados, e fazem negocios 2.500.000 francos por anno. O centro de estudos, as camaras syndicaes, as sociedades de musica e de gymnastica, constituem outras tantas secções da cooperativa que tem servido de modelo a todas as outras cooperativas belgas.