A paz constitue hoje o supremo desideratum da humanidade trabalhadora. Mas a paz tem um complemento indispensavel—a liberdade e a justiça. D'este modo o antigo adagio: Si vis pacem, para bellum (Se queres a paz prepara a guerra), que havia sido substituido por est'outro, não menos illusorio: Si vis pacem, para pacem (Se queres a paz prepara a paz), foi transformado, ao sopro da revolução, pelo seguinte principio: Si vis pacem, para libertatem (Se queres a paz prepara a liberdade).

Com o progresso dos tempos, reconheceu-se porém, que a paz pela liberdade era ainda pouco, e Aurelio Saffi, traduzindo as aspirações dos philosophos{113} e pensadores da sua época, estabeleceu o lemma da paz pela liberdade e pela justiça (si vis pacem, para libertatem et justitiam).

Mais tarde, Carlos Lemmonier reforçou esta formula, demonstrando que a paz, assim como a liberdade, não devia ser um fim, mas apenas um meio. E os philantropos, aceitando a observação, principiaram então de apregoar a paz pela liberdade e por amor da justiça.

A formula de hoje—diz ajuizadamente Emile Arnaud—a unica que corresponde ao estado actual da Europa e á situação especial de cada paiz, é a seguinte: Si vis justitiam, para pacem (Se queres a justiça, prepara a paz).

E, uma vez que fallamos em Emile Arnaud, o glorioso continuador da doutrina de Carlos Lemmonier, devemos dizer que dos apostolos e evangelistas da paz, é elle um dos mais ardentes, um dos mais convictos e um dos mais activos. A Liga Internacional da Paz e da Liberdade está organisada como nenhuma outra sociedade, com ramificações em toda a Suissa e secções e comités em todos os outros paizes da Europa.{114}

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[O MILITARISMO.—DOMELA NIEUWENHUIS.]