Não basta só condemnar a guerra. É mister impedil-a, por todos meios, evital-a e deshonral-a, ainda na phrase do Mestre.

No manifesto, feito por occasião da guerra civil em França, e redigido por Karl Marx, o conselho geral da Internacional declarou que, no longo curso da historia, uma unica guerra podia justificar-se—era a guerra dos escravos contra os senhores. Eis o motivo porque, em caso de guerra, nós devemos responder, recusando-nos ao serviço militar, quer dizer, proclamando a guerra civil. O partido socialista quer acabar com as guerras nacionaes, substituindo-as pela guerra internacional, cujo ultimo resultado será a emancipação do proletariado.

Propômos a gréve geral, sobretudo nos officios e profissões, que tenham qualquer relação com a guerra, porque isso póde ser de grande utilidade.{116}

Com effeito, se, em caso de proclamação de hostilidades, os operarios fizerem tudo quanto poderem, para destruir as rêdes telegraphicas, os rails, as machinas, numa palavra para impedir o encontro dos exercitos, é claro que a guerra se tornará impossivel.

Apesar de tudo—concluia Domela Nieuwenhuis[[5]]—continuaremos a nossa propaganda, para fazer germinar a idéa da recusa de serviço em caso de guerra, acompanhada de uma grève geral. Esta idéa fará o seu caminho. O proletariado deve arriscar o seu sangue unicamente contra o seu unico e verdadeiro inimigo: o capitalismo.

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[ARBITRAGEM INTERNACIONAL.—MICHEL REVON]

Para acabar com a guerra, propõe Michel Revon, pelo seu lado, e com elle outros notaveis pensadores, á frente dos quaes se encontra Frederico Passy, a arbitragem internacional. Atravessamos um periodo de transição—escreve elle[[6]]—que póde durar ainda dois ou tres annos, mas que não poderá prolongar-se. Em dez annos, ou a guerra geral terá arruinado a Europa, ou o militarismo se haverá{117} tornado impotente. A lucta entre o espirito da guerra e o espirito da paz, está por ora indecisa. O momento «psychologico» poderá surgir em 1894, como em 1895 ou em 1896.

Em 1900 é que não.