Memoria, Jardim de Almas todo em flôr
Que as canções e os perfumes enevôam,
Se para mim és dôr, és luz e amôr,
Para os sêres amados que o povoam!

E eis tudo quanto resta á Creatura:
Saber que o seu tormento
É perfeita alegria, alta ventura,
Em outro Firmamento!

Quando os meus olhos intimos, em sonho,
Esse mundo ideal conseguem vêr,
Fico tão deslumbrado que suponho
Haver morrido já sem o saber!

E eis que sou na Paisagem da Memoria!
Lembrança de mim mesmo, eu já penetro
Na cidade phantastica e ilusoria…
Já sou Aparição, Visão, Espectro!

Que é da minha Presença? Não me vejo!
Ah, não me encontro em mim! Sou a Oração
Redimida, sem Deus e sem desejo;
Amôr sem coração!
Sonho liberto, ascendo no Infinito.
A propria Altura é já profundidade!
Onde estás? onde estás? ó corpo aflicto!
Meu sêr perdeu-se em alma: ei-lo saudade!

Outubro de 1912

INDICE

Prefacio
Dedicatoria
Mãe dolorosa
Junto dele
Nas trevas
Olhar eterno
No seu tumulo
Delirio
Remorsos
No crepusculo
Sobresalto
Encantamento
O que eu sou
Minha alegria
Tristêsa
A minha dôr
A Mãe e o Filho
Ausencia
Tragica recordação
Idilio
De noite
Noites em claro
Duas sombras
Lagrima
Meditação
Esperança e tristêsa
Sósinho
Depois da vida
O encontro com o retrato
Na minha soledade
A tua imagem
A nossa dôr
Vida eterna
Memoria

ACABOU DE IMPRIMIR-SE AOS 21 DE JUNHO DE 1913 NA TYPOGRAPHIA COSTA CARREGAL TRAVESSA PASSOS MANUEL, 27—PORTO.