Como estou só no mundo! Como é triste
A solidão que faz a tua Ausencia,
E o terrivel e tragico silencio
Da tua alegre Voz emudecida!

Ó noite, ó noite triste! Ó minha alma!
Tu, que o viste e beijaste tantas vezes,
Tu, que sentiste bem o que ele tinha
De angelica Creança sobrehumana,
Não vês as proprias cousas como soffrem,
E como as grandes arvores agitam
As ramagens de lagrimas e sombras?

Repára bem na lugubre tristêsa
Da nossa velha casa abandonada
Da divina Presença da Creança!

Ah, como as portas gemem e o beiraes
Têm soluços de vento…

Lá fóra, no terreiro onde brincavas,
A noite escura chora…

Ó minha alma,
Embebe-te na dôr das Cousas êrmas;
Chora tambem, consome-te, soluça,
Junto á Mãe dolorosa, de joelhos…

OLHAR ETERNO

Aquele olhar tão triste,
Onde ia, feito em lagrima, o que eu sou,
Isto é, tudo o que existe,
No instante em que pousou,
Relampago do Além,
Sobre ti, meu querido e pobre Anjinho,
Já deitado na cama e tão doentinho,
Cercado da afflicção de tua Mãe;
Esse olhar fez-se eterno,
Em meus olhos ficou: é luz do inferno
Que tudo me alumia…

Parece a luz do dia!

NO SEU TUMULO