A influencia dos litteratos que no seculo XVIII vulgarisaram as ideias politicas, reflectiu-se em Portugal principalmente pelas traducções das tragedias philosophicas de Voltaire, como a Alzira, a Merope, a Semiramis e Mahomet. Já na transformação politica da nação portugueza, do absolutismo para o constitucionalismo, foram tambem os litteratos que cooperaram n’essa renovação social os que melhor comprehenderam a renovação esthetica ou sentimental do Romantismo, de que foram os iniciadores, como Garrett e Herculano. Era uma éra nova destinada a crear uma geração fecunda; porém a obliteração do sentimento de patria, nas reacções palacianas de 1842, de 1847 e 1851, e nos successivos ministerios de resistencia desde 1890, explica sufficientemente a degradação dos caracteres e o imperio das mediocridades. Todos estes phenomenos staticos são solidarios, e embora independentes da vontade individual podem ser perturbados dando em resultado todas as fórmas mais ou menos patentes da decadencia de uma civilisação.
NOTAS DE RODAPÉ:
[1] Primeiros principios, § 72.
[2] Historia da Litteratura grega, cap. I, p. 16. (Trad. Hillebrand.)
[3] Ibid., p. 20.
[4] J. J. Ampère, Grèce, Rome et Dante, onde abundam factos d’esta natureza.
[5] Journal des Savants, 1864.
[6] Émile Chasles, Hist. de la Litterature française, p. 38 e 39.
[7] Du Méril, Poésies populaires latines antérieures au XIIme siècle, p. 103 a 116.
[8] Michelet, Introduction à l’Histoire universelle, p. 61, 211 e seg. Ed. 1843.