(P. 243 a 252.)
[145] Do prurido que exerceram os poemas da Tavola Redonda na sociedade europêa falla Dante no celebre episodio de Francesca di Rimini, seduzida pela imitação dos amores de Lancilotto. Escreve Émile Chasles: «Isto que se passava na Italia acontecia egualmente em todo o Meio Dia. Os Hespanhoes e os Portuguezes, ao terminarem as suas longas guerras contra o islamismo foram vivamente impressionados por estas creações romanescas; imitaram-as com a paixão séria que imprimem na poesia. Os Amadises, que levam ao extremo o ponto de honra, a galanteria e a coragem, são os descendentes da familia gallo-bretã.» (Histoire nationale de la Litterature française, p. 326.)
[146] Ineditos da Historia portugueza, p. 120.
[147] Ed. de Paris, p. 45. Em nota escreve o Visconde de Santarem: «Segundo esta tradição, dizia-se que San Brendan tinha aportado em um navio no anno de 565 a uma parte da equinocial. Conservou-se esta entre os habitantes da Madeira e da Gomeira, os quaes julgavam vêr a dita ilha ao Oéste em certo tempo do anno.» E accrescenta: «Azurara conheceu esta tradição da Edade media por alguma copia dos Ms. do seculo XIII intitulado Imago Mundi de dispositione Orbis de Honorio d’Autun; e esta circumstancia é tanto mais curiosa, que Azurara não podia ter tido conhecimento do famoso Mappa Mundi de Fra Mauro, que só foi feito entre os annos de 1457 e 1459; e ainda menos do planispherio de Martim de Bohemia (1492) que se conserva em Nuremberg, onde se vê desenhada junto da equinocial uma grande Ilha com a seguinte legenda: Anno 565 S. Brandam chegou com o seu navio a esta ilha.»
[148] Renan, no estudo Poesia das Raças celticas, alludindo ao poder das ficções, escreve: «D’ahi este profundo sentimento do futuro e dos destinos eternos da sua raça que sempre alentou o Kymri, e o faz apparecer joven ainda ao lado dos seus conquistadores envelhecidos. D’ahi o dogma da resurreição dos heróes, que parece ter sido um d’aquelles que o christianismo teve mais pena de desraigar. D’ahi este messianismo celtico, esta crença em um vingador futuro, que restaurará a Cambria e a libertará dos seus oppressores, como o mysterioso Leminok, que Merlin lhes promettera, o Lez-Breiz dos Armoricanos, o Arthur dos Gallois.» (Ess., p. 387.)
[149] Roland et la Chevalerie (na Rev. des Deux Mondes, 1846.)
[150] Roland et la Chevalerie. Magnin esboça um plano de coordenação de caracteres historicos fundado sobre este dualismo: «Comprazer-me-hia a oppôr a um personagem de temperamento e de cultura antiga um personagem de compleição e de costumes septemtrionaes; Clovis, por exemplo, a Carlos Magno; o ultimo dos Bourguinhões, Carlos o Temerario, a Luiz XI; o troveiro Thurold, a Ariosto; Shakespeare, a Racine; Erwin de Steinbach, a Miguel Angelo; finalmente mais perto de nós, Byron, a Alfieri; Beccaria, ao conde de Maistre.»
[151] Dicc. da Academia española, vb.o cit.
[152] Apud Joly, Benoit de Sainte More, t. I, p. 6.
[153] Catalogo dos Bispos do Porto, prefação, § 13.