—Nem podia deixar de ser assim,—proseguiu Cepio com enfatuado desdem.—Accusarão os vindouros Roma de desleal nos seus Tratados, mas nunca de um governo estupido! Pois era lá possivel que sustentassemos uma guerra desesperada em Numancia, que pertence á primitiva unidade lusitana, e que estivessemos de mãos atadas na parte occidental da Hespanha pelo pacto imposto por um cabecilha, que para nós os romanos nunca deixou de ser o Dux latronum!
—Com que, Roma decreta que se continue a Guerra da Lusitania? inquiriu com assombro Ditálcon.
—Como acabaes de o ouvir.
—A nossa missão parece terminada,—disse Ditálcon, quebrantado o animo.
—Não a considereis terminada,—interrompeu Cepio, tornando a approximar de si os tres emissarios.—Alguma cousa bem combinada se poderá fazer ainda, e depende da vossa intelligencia. Quereis a paz da Lusitania?
—Queremos! accudiram os tres.
—A Paz da Lusitania, mas não a Paz de Viriatho! disse o Consul com orgulho. D'essa tratemos aqui, partindo do ponto que Viriatho é o unico embaraço d'ella, e que emquanto elle viver nunca Roma considerará a Paz da Lusitania senão como uma affrontosa derrota.
—Mas Viriatho é querido do Povo, que o acompanha cegamente.
—É por isso que Viriatho é um perturbador. A sua obra é uma loucura! Quer fazer uma Lusitania restaurada pela unificação de elementos de raças ha tantos seculos extinctas, imaginando Lusonios, com quem nada têm as gerações actuaes.
Ditálcon acenou com a cabeça, em signal de adhesão áquella ideia. E o Consul, vendo que estava sendo comprehendido, voltou-se para Minouro: