—É esta a feição da gente lusitana; do trabalho faz uma festa; allivia-se da fadiga com os seus cantares.

E parou um instante a ouvir a

Canção das Lavadeiras

Já os linhos florescem,
Já os dias crescem,
E ainda não apparecem
Os meus amores!

Já as neves descem,
Sem que as guerras cessem;
Mas nunca me esquecem
Os meus amores!

Já os linhos se tecem,
Mesmo as têas alvecem;
Ah, se bem cedo viessem
Os meus amores!

Aquella toada sentida communicava uma emoção saudosa, não tanto pela lembrança da paz, agora perdida, como pelo genio do povo, que se revelava n'essa dolencia. Viriatho, bebendo largos tragos da agua da ribeira em uma quarta alemtejana, que lhe encheu uma das lavadeiras, galgou a encosta asperrima, sem parar até ao cocuruto do forte das Juntas.

—Valentes pernas!

—Aquillo é que é homem! Disseram duas das lavadeiras que estavam torcendo o bragal, e que o olhavam cá debaixo, emquanto a agua escorria.

[XXIV]