—Todas nós devemos amar Viriatho, por que elle sabe defender a nossa terra. (Volveu a Caenia a rapariga falladeira com decisão). Pois para vencer o inimigo, Viriatho precisa do amor e da confiança de nós todos. Mas para amal-o, como a mulher póde amar o homem, isso fia mais fino! Na Lusitania, que mulher poderá merecel-o?

—Então não ha mulheres lusitanas que me queiram?—Interrompeu Viriatho com malicia.

—Ai, meu senhor. Das mulheres da Lusitania só tenho ouvido exaltar uma que é digna de vós, ou vós digno d'ella.

—E eu, que até hoje nunca tinha pensado em amar uma mulher! Queria saber quem é essa, que tanto exaltas.

—Falla! dize quem é. Insistiram Nilliata e Aponia.

—Não é segredo. Todos sabem qual a belleza e ingenuidade de Lisia, a filha de Idevor.

—Lisia? ainda tão nova; com pouco mais de dezeseis annos?

—Mas com um tino e juizo, que espanta; com uma graça invencivel; com uma memoria vivissima dos Cantos e tradições da velha Lusitania. Dizem até, que ella, pelos dons que possue, não é d'este mundo.

Outra das tres moçoilas, não menos linguareira, proseguiu na revelação começada:

—É Lisia quem na Torre redonda de Achale, no começo do Anno estival accende o Fogo novo.