—Será o que Deus quizer, respondeu tristemente a pobre mãe, pegando nos maços de notas e mettendo-os dentro do seu sacco de veludo.
Cinco minutos depois, acompanhada pelo commendador, entrava D. Marianna para uma sege, e seguia caminho de casa.
No dia seguinte, ás duas horas da tarde, desprendendo se dos braços de sua mãe, entrava Manuel de Mendonça na galera Boa Ventura, e ao cair da tarde perdia de vista o que ha de mais caro na vida: mãe e patria.
«Acautele-se do commendador» foram as ultimas palavras que Manuel dissera a sua mãe.
Ao cabo de tres mezes, a viuva recebeu uma carta de seu filho, em que lhe participava que tinha chegado depois de uma feliz viagem, e que esperava em pouco tempo estabelecer-se vantajosamente com uma casa commercial.
Assim passaram mais oito mezes.
As mezadas que D. Marianna recebia de Felix de Araujo continuavam a ser-lhe entregues com a mesma religiosa pontualidade, o que fazia com que todas as pessoas que chegaram a duvidar da honestidade do commendador começassem a proclamal-o homem de evidente credito.
Durou isto perto de um anno. As cartas que Manuel escrevia a sua mãe eram cada vez mais consoladoras. N'algumas, mandava-lhe dizer que os seus maiores desejos seriam tel-a a seu lado.
Um dia, finalmente, escreveu lhe seu filho, mandando-lhe pedir encarecidamente que retirasse quanto antes os capitaes que tinha na mão do commendador, porque lhe tinham dado as peiores informações a seu respeito, sendo a primeira não se chamar Felix Justino de Araujo, mas simplesmente Domingos de Andrade.