N'este comenos, o criado que ficara junto do ferido entrou na casa de jantar para participar que elle havia tornado a si, dizendo poucos instantes depois o seu nome e a rua onde morava. Ajuntou em seguida o criado que um sujeito muito bem vestido pedira ao guarda portão para vir reconhecer o doente.
—E esse individuo... ainda lá está? perguntou Tristão.
—Não senhor. Saiu logo que lhe soube o nome. Disse que ia dar parte á familia que estava com muito cuidado julgando que tinha sido atacado pela febre.
—E quem é o doente e como se chama? perguntou vivamente o visconde.
—Chama-se Jeronymo e é mestre de obras.
—E onde mora? interrompeu Vaz Mendes.
—Na rua do Meio á Lapa, respondeu o criado.
—Quanto estimo! quanto estimo! exclamou D. Maria Egypciaca. Provavelmente foram chamar-lhe a familia. Que venha, que venha. Pobre gente! Talvez ainda abençõem a fatalidade que lhes aconteceu! Pódes retirar-te, Manuel, ajuntou ella, dirigindo-se ao criado.
—Agora, disse Vaz Mendes, já temos por onde começar a nossa obra de caridade. Principiaremos por esse pobre Jeronymo.
—Apoiado! bradou o commendador despejando o decimo copo de vinho do Porto, e olhando de soslaio para Olympia, cujos olhos pardos se fitavam ardentemente n'uma torta de maçã.