Em tom de graça,
Ao terno amante
Manda Marilia
Que toque, e cante.
Péga na lyra,
Sem que a tempere,
A voz levanta,
E as cordas fere.
C'os doces pontos
A mão atina,
E a voz iguala
A voz divina.
Ella, que teve
De rir-se a idéa,
Nem move os olhos
De assombro chêa.
Então Cupido
Apparecendo,
Á bella falla
Assim dizendo:
Do teu amado
A lyra fias,
Só porque delle
Zombando rias?
Quando n'um peito
Assento faço,
Do peito subo
Á lingoa, e braço.
Nem creias que outro
Estylo tome,
Sendo eu o mestre,
A acção teu nome.
LYRA XXIV.
Encheo, minha Marilia, o grande Jove
De immensos animaes de toda a especie
As terras, mais os ares,
O grande espaço dos salobros rios,
Dos negros, fundos mares.
Para sua defeza,
A todos dêo as armas, que convinha;
Á sabia Natureza.