O governo em Portugal é apenas o capitolio das mediocridades venturosas—com um ganso,—o sr. Jayme Moniz.
Durante o espaço da tempo a cuja chronica este volume se refere sairam á luz alguns novos jornaes. D'estes conhecemos tres: a Regeneração, a Patria e a Republica. Estes tres jornaes, como a maior parte dos periodicos portuguezes são—anonymos.
Ora eis aqui uma coisa que nunca podemos comprehender na legislação por que se regula o direito de escrever e a liberdade de pensar:—que possa alguem por qualquer razão que seja dispensar-se de assignar o que escreve! O maior abuso da liberdade de imprensa e ao mesmo tempo o unico que a lei portugueza não só não pune, mas auctorisa e regula é este:—não assignar.
Ha apenas em Portugal um só periodico politico em que cada artigo é assignado pelo jornalista que o fez. Este periodico é o Diario da Tarde, folha portuense, onde cada um dos redactores não só acceita mas declara acceitar todos os dias, por meio da sua assignatura, a responsabilidade completa de toda a infracção commettida, bem como os effeiios de todas as resistencias, de todas as controversias, de todas as antipathias que tenha podido suscitar.
Esta coisa tão simples, para a qual muitos outros escriptores portuguezes teem o preciso valor e a necessaria independencia, ninguem mais a tem adoptado como condição imprescriptivel do direito que cada um tem de emittir pela publicidade o seu pensamento.
A primeira razão por que se não assigna é esta:
A empresa do jornal, servindo-se d'elle para qualquer fim que seja, convem-lhe sempre absorver na sua exclusiva personalidade todos os meios de influencia, todos os instrumentos de trabalho que fazem mover a sua machina. Para que isto se consiga toma-se necessario estabelecer como lei fundamental da efficacia do apparelho jornal: que o que escreve se eclipse inteiramente por detraz do que paga. Isto é apenas uma das muitas explorações fataes da intelligencia e do trabalho pelo dinheiro. N'este caso os resultados são graves para os interesses do espirito, da dignidade e da razão.