Para ministrar ao principe a sagrada eucharistia foi chamado expressamente do Porto o sr. bispo D. Americo.

Parece-nos—comquanto não ouzemos dizel-o sem uma reserva profundamente timida—que sendo a communhão um acto puramente religioso, seria talvez mais consentaneo com a humildade christã que o sr. bispo D. Americo não fosse chamado, que se não fizesse da pratica de um sacramento uma distincção aristocratica, e que sua alteza commungasse simplesmente como os demais christãos na igreja da sua freguezia e pelas mãos do seu parocho.

Poderão objectar-nos que, não comprehendendo as abluções do rito senão as pontas dos dedos no sacrificio da missa e sendo as douches applicadas unicamente aos sacerdotes pelo bico de um galheta, ha parochos que, por não ultrapassarem as prescripções liturgicas teem nas suas lobas tantas nodoas como botões, e não sómente cheiram penetranremente ao fumo do incenso e ao murrão dos cirios, mas cheiram tambem algum tanto a saes ammoniacaes e a uréa, d'onde poderia resultar que no banquete eucharistico a qualidade da baixella desgostasse o principe da pureza mystica do manjar.

A essa objecção respondemos que seria mais economico e talvez mesmo mais efficaz para remedio do baixo clero que, em vez de só mandar vir o sr. D. Americo, deslocando-o dispendiosamente da sua diocese com os seus famulos e a sua mitra, se mandasse chamar simplesmente o sr. Cambournac.

Porque—acreditem-o—não é com a presença do illustre e correcto bispo portuense, nitidamente barbeado, perfumado pelo uso de bons comesticos, com bellas meias de seda escrupulosamente esticadas por um destro valet de chambre, com fina roupa branca e lustrosas unhas esmeradamente limadas e polidas, não é com exemplos que deslumbram que se ha de obstar á decadencia das nossas batinas. Ellas em Portugal não querem por emquanto exemplos. O que ellas querem é directamente benzina.


Se, porém, se entende definitivamente que á mesa da communhão devamos nós os catholicos aproximar-nos por cathegorias e por classes, como á mesa dos paquetes, então pedímos uma tarifa para regularisação do serviço ecclesiastico. Que a Igreja nos diga definidamente quem são os passageiros da terceira classe que commungam na tolda com a marinhagem e quaes os escolhidos com direito a receberem a communhão á mesa do commandante!


Depois da ceremonia religiosa, accrescentam os jornaes, que fora servido no paço um opiparo almoço aos dignatarios da côrte e ao alto clero. Esperamos que o sr. patriarcha fazendo aos poderes temporaes o duro sacrificio de não cumprir o preceito jejuando, pozesse ao menos a condição de que a sua costelleta fosse de bacalhhau!