—Padre José, esperte! não se faça ainda mais mono do que é; scintille para ahi um boccado; tenha faisca, ainda que seja em latim, ou em canto chão!

E perante o olhar d'elle, esbugalhado, vermelho, attonito, ellas, em inglez, umas para as outras, picando o crochet:

—Cada vez mais bruto! uma lastima! um cumulo!

Quem precisa de padre e o não tem á mão, pede-o emprestado, como se pede emprestado ao visinho um alicate ou um martello. Sophia, que está em Cintra, escreve para Lisboa a uma amiga:

«Resolvemos abrir duas portas na sala de jantar sobre o jardim. Preciso d'olheiro para os operarios. Cede-me Padre Antonio por oito dias. Dá-lhe dinheiro para o omnibus e manda-m'o ámanhã sem falta.»

Ás vezes o padre de sala dosapparece por algum tempo da circulação, posto na escada com a respectiva bagagem,—uma camisa, um pente, dois pares de piugas embrulhadas n'um jornal—, e uma pontuada de bengala nos rins em estimulo de velocidade para a porta da rua.

Alguém á noite pergunta:

—Que é feito do padre João?

E o dono da casa, levantando os olhos do jornal que lê a um canto, responde lentamente:

-Mandei-o rinchar para as lesirias. Começava a achar-se folgado de mais para se continuar a ter á argola. É o que lhe fiz sentir esta manhã por meio de uma ligeira admoestação corporea.