Para substituir a Stephania nas campanhas navaes das futuras eleições pensa-se em mastrear em corveta o compadre Tavares. Para esse fim estão-se já colligindo nas estações competentes os mexilhões precisos para guarnecer a quilha d'este distincto cavalheiro.
Parabens a sua excellencia!
Agora invocamos a protecção dos anjos para que, com sua assistencia, passemos a narrar em resumido discurso e em florida linguagem, propria da alteza do assumpto, como foi que o milagre se deu no povo do Carnaxide.
Era por uma formosa tarde do cálido mez de agosto. O astro do dia se inclinava ao occaso, onde o oceano parecia attrahil-o com as argentadas presas de suas ondas. Sobre a verde alfombra alvos cordeiros, conduzidos pelos zagaes, pasciam as tenras hervas, ao passo que no umbroso bosque o bando alado entoava os louvores do Eterno em doces e bem concertados gorgeios.
Debaixo de uma virente faia se achavam alguns camponezes dando alento ao fatigado corpo e discreteando em ameno convivio ácerca de seus bucolicos lavores e bem assim da vida e prendas de Santa Rosa de Lima por ser esse o milagroso dia de tão prodigiosa santa.
Eis senão quando, volvendo os olhos, como que tocados por um presentimento divino, para o lado em que se acha a egreja parochial de Carnaxide, viram os ditos camponezes apropinquar-se um vulto em tudo magestoso acima do narravel.
Com a mão direita se apoiava esse vulto a um bordão de peregrino, em quanto que com a mão esquerda ora comprimia a fronte pensativa coroada de um pastoril chapeu de palha, ora fazia um gesto cortez para o horisonte como que convidando o mesmo vulto a proseguir na senda da vida em direcção á faia virente.
Conjecturaram os camponezes que fosse S. Basilio Magno, S. Pedro Nolasco ou S. Praxedes, e logo viram que não era Santo Antão—por não ter porco ao lado.
Junto da faia, aquelle que os camponezes haviam tomado de longe por Praxedes, collocou a mão sobre o coração e arremetendo com a fronte para as nuvens, exclamou: