Somos dous cantos de uma mesma lyra,

Somos dous raios de uma mesma luz.

Se ris, me rio, e no prazer unidos,

O mundo diz-nos: «São felizes, sabios...»

Se soffres, chóro; somos dous gemidos

De um mesmo peito a nos morrer nos labios.

Quaes duas vagas que tu vês, rolando,

N'uma se unir, no mesmo mar correr,

Os nossos peitos foram-se abraçando

No mesmo affecto que nos faz viver.