A Maria Santissima.

Nós vos rogamos, ó Santissima Senhora, por aquella graça, que Deus vos communicou, de vos fazer tão poderosa no Céo, e na terra, que vos compadeçais de nós; apressai-vos, ó misericordiosissima, Senhora, a procurar-nos aquelle bem pelo qual Deus se contentou de fazer-se homem nas vossas castissimas entranhas: não desprezeis os nossos rogos: se vós pedirdes ao vosso Filho, elle logo vos despachará: basta que vós querais que nós nos salvemos, que então, junto com os merecimentos do nosso Redemptor, não poderemos deixar de fazer obras dignas de nossa salvação. Ora Senhora, quem poderá restringir as entranhas da vossa misericordia? Se não tendes compaixão de nós, Senhora, que sois a Mãe de misericordia, que será de nós, quando vosso Filho vier a julgar-nos?

Virgem Soberana, etc. (

Como a pag. 22.

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VISITA XV.

Dizia o Veneravel Padre D. Francisco Olympio, Theatino, não haver cousa na terra, que mais vivamente accenda o fogo do Divino amor no coração dos homens, do que o Santissimo Sacramento do altar. Por isso o Senhor se fez vêr a Santa Catharina de Sena no SS. Sacramento, como uma fornalha de amor, da qual sahião torrentes de divinas chammas, que se espalhavão por toda a terra, ficando a Santa pasmada, considerando como era possivel que os homens pudessem viver no meio daquelle divino incendio, sem se abrasarem de amor. Ah, meu Jesus! Fazei que eu arda no vosso amor: fazei que eu não cuide, não suspire, não deseje, não busque outro bem fóra de vós. Oh ditoso eu, se me deixasse possuir todo deste divino fogo, e ao mesmo passo que se vão consumindo os meus annos, se fossem tambem destruindo em mim todos os affectos terrenos.

Ó Verbo Divino, ó Jesus meu, eu vos vejo todo sacrificado, todo aniquilado por amor de mim nesse altar: é razão que, assim como vós vos sacrificastes, fazendo-vos victima de amor, tambem eu me consagro todo a vós. Sim, meu Deus, e meu supremo Senhor: eu vos sacrifico hoje toda a minha alma, toda a minha vontade, toda a minha vida, e a mim todo. Desejo unir este meu pobre sacrificio com o sacrificio infinito. que vos fez de si mesmo, ó Eterno Pae, Jesu Christo vosso Filho, e meu Salvador, sobre a Cruz, e que vos faz todos os dias tantas vezes sobre os altares, acceitai-o pois, Senhor, pelos merecimentos do meu Divino Redemptor; e dai-me graça de repetir este sacrificio todos os dias da minha vida, e de morrer, sacrificando-me todo ao vosso amor, e á vossa honra: desejo a graça concedida a tantos Martyres, de morrer pelo vosso amor; mas se de tanto favor não me achais digno, ao menos, meu Senhor, concedei-me que vos sacrifique com toda a vontade a minha vida, abraçando com toda a resignação aquella morte, que a vossa providencia me quizer dar. Senhor, haveis de fazer-me esta graça: quero morrer com a vontade de honrar-vos e de vos dar gosto; e desde agora vos sacrifico a minha vida, e vos offereço a minha morte, qualquer que ella seja.