(Lus. VI, 38.)
Como é desagradavel deixar o conchego da maca ou do beliche, quando estavamos no melhor do somno, quando talvez a imaginação nos tinha transportado á patria em dôces sonhos que mentiam, para ir fazer um quarto em cima da tolda, aguentando o aspero frio da noite! Por isso os pobres marinheiros
Vencidos vem do somno, e mal despertos, Bocejando a miude, se encostavam Pelas antenas, todos mal cobertos Contra os agudos ares que assopravam; Os olhos contra seu querer abertos, Mas esfregando, os membros estiravam.
(Lus. VI, 39.)
Não ha manobras a fazer, não ha cousa alguma que distráia, porque, com tempo tão excellente, só é preciso estar álerta. Como se hão de passar aquellas quatro horas e afugentar o somno teimoso?
Remedios contra o somno buscar querem, Historias contam, casos mil referem,
(Lus., ibidem.)
E ahi começa o orador, o beau-diseur da companhia, a contar uma historia interessante, que entretem a todos e faz voar as horas.
Mas nem tudo são rosas durante a viagem; bem pelo contrario, os espinhos são em numero muito superior. Aos dias de bom tempo succedem as tempestades, que tornam o marinheiro
Confuso de temor, da vida incerto