A barcaça tinha parado ao pé do ultimo degráo do rochedo, no mesmo lugar em que tinha cahido o guarda-costa.

Vendo descer Rantaine, Clubin murmurou:

—Bom numero seiscentos e desenove! Pensava que estava só. Rantaine pensava que eram apenas dous. Só eu sabia que eramos tres.

Clubin vio no chão o oculo do guarda-costa; apanhou-o.

Começou o ruido dos remos. Rantaine acabou de pular na barcaça, e esta tomava o largo.

Quando Rantaine achou-se na barca, indo-se já afastando dos rochedos, levantou-se bruscamente, a face tornou-se-lhe monstruosa; mostrou o punho e gritou:

—Ah! o proprio diabo é um canalha!

Instantes depois, Clubin do alto das rochas, e fixando o oculo na barcaça, ouvio distinctamente estas palavras, articuladas por uma voz grossa, meio do rumor do mar:

—O Sr. Clubin é um homem honrado, mas consinta que eu escreva a Lethierry para participar-lhe o facto, e aqui vai nesta barcaça um marinheiro de Guernesey que é da equipagem do Tamaulipas, que se chama Ahier Tortevin, o que ha de voltar a Saint-Malo, na proxima viagem de Zuela, e que será testemunha de que eu lhe entreguei para mess Lethierry a somma de tres mil libras esterlinas.

Era a voz de Rantaine.