—Nem eu, disse o maloense.

—Tudo o que se passa neste mundo, continuou o parisiense, parece um desconcerto. Creio que Deos não entra nisto.

O maloense coçou o alto da cabeça, como quem procura comprehender. O parisiense continuou.

—Deos está ausente. Devia-se lavrar um decreto para obriga-lo a residir aqui. Anda lá na sua casa de campo e não se importa comnosco. E tudo vai torto e mal encaminhado. É evidente, meu bom senhor, que Deos já não está no governo, está em ferias, e é o vigario, algum anjo seminarista, algum bocio com azas de pardal, quem dirige os negocios.

O capitão Clubin, que se aproximara, pôz a mão no hombro do parisiense.

—Silencio, disse elle. Cuidado nas palavras. Estamos no mar.

Ninguem mais fallou.

No fim de cinco minutos, o guernesiano, que tudo ouvira, murmurou aos ouvintes.

—É um capitão religioso.

Não chovia e todos estavam molhados. Só se reparava no caminho que o navio descrevia por uma especie de máo-estar. Parecia que se entrava na tristeza. O nevoeiro emmudece o oceano, adormenta a vaga e supita o vento. Naquelle silencio, o rumor da Durande tinha um não sei que de inquieto e lamentoso.