Via-se debaixo, no plateau superior da grande Douvre uma especie de excrescencia.
As rochas em pé, com a parte superior chata, como a grande Douvre e o Homem, são penedos decapitados, abundam nas montanhas e no oceano. Certos rochedos, principalmente os que se encontram em mar largo, teem entranhas como se foram arvores golpeadas. Parecem ter recebido um golpe de machado. Com effeito, essas rochas andam sujeitas ao vae-vem do furacão, que é o lenhador do mar.
Existem outras causas de cataclysma mais profundas ainda. Dahi vem que ha tantas feridas em todos esses velhos granitos. Alguns desses collossos teem a cabeça cortada.
Ás vezes a cabeça, sem que se possa explicar, não cahe e fica mutilada, no cume do rochedo. Não é rara essa singularidade. A Roque-au-Diable, em Guernesey, e a Fable, no valle de Anweiler, apresentam nas mais sorprehendentes condicções esse estranho enigma geologico.
Provavelmente tinha acontecido á grande Douvre alguma cousa semelhante.
Se a tumescencia que havia no plateau não era natural, era necessariamente algum fragmento que ficaria da decapitação.
Talvez houvesse alguma exacavação nesse pedaço de rocha.
Buraco para metter-se um homem; era o que Gilliatt queria.
Mas como chegar até lá? como trepar por aquella columna vertical, densa e polida como um seixo, meio coberta de uns filamentos viscosos, tendo o aspecto escorregadio de uma superficie ensaboada?
Gilliatt tirou da caixa da ferramenta a corda de nós, prendeu-a á cintura, e poz-se a escalar a pequena Douvre. Á proporção que ia subindo, tornava-se mais difficil a ascenção. Esquecera-se de tirar os sapatos, o que augmentava a difficuldade. Não sem custo chegou á ponta. Chegando á ponta poz-se de pé sobre ella. Havia apenas lugar para os pés. Fazer disso um lugar para descançar e dormir era difficil. Um stylicte contentara-se, Gilliatt mais exigente queria cousa melhor.