Não quer isto dizer que não existam as zonas dos ventos. Nada mais demonstrado que as correntes continuas, e dia virá em que a navegação aérea, servida pelos navios do ar (air-navires) que chamamos, por mania de grego, aeroscaphos, utilisará as linhas principaes. A canalisação do ar pelo vento é incontestavel; ha rios de vento, ribeiros de vento, riachos de vento; sómente ao invez das ramificações da agua, são os riachos que sahem dos ribeiros, e os ribeiros que sahem dos rios, em vez de serem affluentes: em vez de concentração, dispersão.
Essa disposição é que faz a solidariedade dos ventos e a unidade da atmosphera. Uma molecula deslocada desloca outra molecula. Os ventos agitam todos juntos. A estas profundas causas do amalgama, acrescentai o relevo do globo, rasgando a atmosphera com todas as suas montanhas, fazendo nós e torções nas carreiras do vento e determinando em todos os sentidos as contra-correntes. Irradiação illimitada.
O phenomeno do vento é a oscilação de dous oceanos um sobre outro; o oceano do ar, sobreposto ao oceano de agua, apoia-se nessa fuga e vacilla nessa vacillação.
O indivisivel não usa compartimentos. Não ha tabique entre uma onda e outra. As ilhas da Mancha sentem o empurrão do Cabo de Boa Esperança. A navegação universal faz frente a um monstro unico. Todo o mar é uma só hydra. As vagas cobrem o mar de uma especie de escama. Oceano é Ceto.
Nessa unidade abate-se o inumeravel.
[IV]
TURBA, TURMA
Para a bussola ha trinta e dous ventos, isto é, trinta e duas direcções; mas essas direcções podem subdividir-se indefinidamente. O vento classificado por direcções, é o incalculavel; classificado por especies, é o infinito.