Gilliatt tinha á sua disposição, na reserva do apparelho da pança, um grande panno alcatroado com as competentes cordas longas nas quatro pontas.

Pegou nesse panno, amarrou dous cantos pelos cabos ás duas argolas das correntes do cano do lado do buraco, e atirou o panno por cima da borda. O panno cahio como uma toalha entre a pequena Douvre e a barca, e mergulhou. A agua querendo entrar na pança applicou o panno ao casco sobre o buraco. Quanto mais a agua batia, mas adheria o panno. Foi collocado pela vaga sobre a fractura. A chaga da barca estava pençada.

A lona alcatroada interpunha-se entre o interior do porão e as vagas de fóra. Jã não entrava nem gotta d'agua se quer.

O buraco estava tapado, mas não estopado.

Era uma espera.

Gilliatt começou a esvasiar a pança. Era tempo de allivia-la. O trabalho aqueceu-o um pouco, mas extrema era a fadiga. Gilliatt confessava que não iria ao fim, e não chegaria a estancar o porão. Gilliatt comera muito pouco, e tinha a humilhação de sentir-se extenuado.

Media o progresso dos trabalhos pela baixa do nivel da agua nos seus joelhos. A descida era lenta.

Além disso a entrada da agua estava apenas interrompida. O mal estava palliado, mas não reparado. O panno, empurrado na fractura pela vaga, começava a fazer um tumor pelo lado de dentro. Parecia que havia uma mão fechada debaixo do panno, procurando romper o buraco. A lona, solida e alcatroada, resistia; mas o inchamento e a tensão iam augmentando; não era certo que o panno não cedesse, e de um momento para outro o tumor poderia romper. Recomeçaria então a irrupção da agua.

Em tal caso, as equipagens em perigo o sabem, não ha outro recurso mais que um batoque. Apanham-se trapos de toda a especie, o que se acha á mão, tudo quanto a lingua especial chama forro, e mete-se o mais que se póde na fenda do tumor da lona.