—Senhor, balbuciou Deruchette, eu não sabia que reparavam em mim aos domingos e quintas-feiras.

A voz continuou:

—Nada se pode contra as cousas angelicas. Toda a lei é amor. O casamento é Chanaam. A senhora é a belleza promettida. Ave, cheia de graça!

Deruchette respondeu:

Eu pensava que não fazia mal indo como as outras pessoas á igreja.

—A voz continuou:

—Deos pôz as suas intenções nas flôres, na aurora, na primavera, e elle quer que se ame. A senhora é bella nesta sacra obscuridade da noite. Este jardim foi cultivado pela senhora, e no perfume ha alguma cousa de seu halito. Os encontros das almas não dependem dellas. Não é culpa nossa. A senhora ia á igreja, nada de mais; eu estava lá, nada de mais. Nada fiz senão sentir que a amava. Algumas vezes os meus olhos levantaram-se para a senhora. Fiz mal, mas como não? Foi contemplando-a que eu fiquei assim. Não podia impedil-o. Ha vontades mysteriosas acima de nós. O primeiro templo é o coração. Ter a sua alma em minha casa, tal é o paraiso terrestre a que eu aspiro. Aceita? Emquanto fui pobre nada disse. Eu sei a sua idade. Tem vinte annos, eu tenho vinte e seis. Parto amanhã, se me recusa não voltarei. Quer ser minha noiva? Os meus olhos já lhe fizeram esta pergunta mais de uma vez e a meu pesar. Amo-a, responda-me. Fallarei a seu tio quando elle puder receber-me, mas em primeiro lugar á senhora. É a Rebecca que se pede Rebecca. Só se me não ama.

Deruchette inclinou a fronte e murmurou.

—Oh! eu o adoro!