Não tinha replica. Todos davam razão ao capitão Clubin. Era approvado por não ter escrupulos tolos. Quem ousaria dizer mal delle? Tudo quanto fazia era para bem do serviço. Nelle tudo era simples. Nada podia compromettel-o. O crystal querendo manchar-se não pode. Esta confiança era a justa recompensa de uma longa honestidade e é essa a excellencia das reputações firmes. Fizesse o que fizesse o Sr. Clubin, todos lhe viam malicia no sentido da virtude; tinha adquirido a impecabilidade; e de mais a mais dizia-se que era muito esperto; deste ou daquelle encontro que com outra pessoa seria suspeito, a sua probidade sahia sempre com um relevo de habilidade. A fama de habilidade combinava-se harmoniosamente com a fama de ingenuidade, sem contradicção alguma. Ingenuo habil é cousa que existe. É uma das variedades do homem honesto e das mais apreciadas. O Sr. Clubin era desses homens que, encontrados em conversa intima com um larapio, ou um bandido, são recebidos, comprehendidos, e mais respeitados, e têm ainda por si o piscar de olhos satisfeito da estima publica.
O Tamaulipas tinha completado o carregamento. Estava proximo a partir e ia aparelhar.
Em uma terça-feira á tarde, ainda com sol, chegou a Durande a Saint-Malo. O Sr. Clubin de pé no passadiço e dirigindo a manobra da entrada, descobriu perto de Petit Bey, na praia, entre dous rochedos, em um lugar muito solitario, dous homens conversando. Deitou-lhes o oculo e reconheceu um dos homens. Era o capitão Zuela. Parece que reconheceu tambem o outro.
O outro era alto, um pouco grizalho. Trazia o chapéo largo e o vestuario grave dos Amigos. Era provavelmente um quaker. Baixava os olhos com modestia.
Chegando á pousada João, o Sr. Clubin soube que o Tamaulipas ia aparelhar dentro de 10 dias.
Soube-se depois que elle tomara outras informações.
Á noite, entrou em casa do armeiro da rua de S. Vicente, e disse-lhe:
—Sabe o que é um revolver?
—Sei, respondeu elle, é americano.
—É uma pistolla que renova sempre a conversação.