A solidão do lugar tinha um não sei quê de funebre. Sentia-se a inviolabilidade ameaçadora. Era medonho. Aquella planura silenciosa e nua escondia no precipicio a sua curva declive. Embaixo callava-se o mar. Não havia vento. As ervas não se mechiam.

Os furta-ninhos avançavam de vagar com o francez á frente, contemplando a casa.

Um delles contando depois o facto ou o pouco que lhe restava na memoria, acerescentava: a casa não dizia nada.

Approximavam-se retendo a respiração, como quem se approxima de um animal feroz.

Tinham subido o comoro que fica atraz da casa, e que vai ter a um pequeno isthmo de rochedos pouco praticavel; estavam perto da casa; mas viam apenas a fachada do sul, que é toda murada; não tinham ousado voltar á esquerda, o que os teria exposto a ver a outra fachada em queha apenas duas janellas, o que é terrivel. Entretanto atreveram-se, por que o aprendiz de callafate disse-lhes baixinho: viremos de bombordo; daquelle lado é que é bonito; é preciso ver ás duas janellas negras.

Viraram de bombordo e chegaram ao outro lado da casa.

As duas janellas estavam illuminadas.

Os meninos fugiram.

Qando estavam longe, voltou-se o francez.

—Olhem, disse elle, já não ha luz.