Como era natural, não tardou o José Bispo, da venda, a querer engraçar-se com ella e desejal-a com a impetuosidade do seu genio atabalhoado, despotico, irascivel, mettendo medo a todo o mundo e cheio de grandezas e valentias no meio d’aquella arraia miuda.

Por cima, inspector do quarteirão, embora não se tivesse naturalisado cidadão brasileiro.

De cada vez que a Ciganinha lá ia comprar alguma cousa, um cobre de vinagre, meio tostão de azeite, um salamim de arroz, contava-lhe historias, fazia-lhe mil promessas.

—Deixe-se de partes, Sr. Portuga, repellia-o Gêgéca; não se faça de tolo, estou com pressa...

—Mas, Ciganinha...

—Limpe os beiços, Sr. pé de chumbo. Ande; que não vim cá para atural-o...

E assim era sempre.

Ora, como tudo isso occorria á vista de todos, apinhada a venda de ociosos, tropeiros, creanças, fadistas, não raro havia troça á custa do tal José Bispo.

—Assim, rapariga, applaudiam. Dê-lhe para baixo até mais não poder.