Pensou até em matar-se, atirar-se ao Paranahyba, acabar de vez com aquella situação infernal, em que não via sahida possivel, o menor postigo entreaberto, que lhe permittisse olhar mais desassombrado para o futuro.

Que lucta ingente!

Afinal, numa bella manhã em que a natureza sorria inebriante, feliz, bondosa, a aconselhar a todos os seres alegria, expansão e gozo, tomou a suprema resolução e, batendo á porta da miseravel chóça das duas mulheres, pediu solemnemente á D. Cula a mão da sua filha, a Ciganinha!

Como foi acolhido!

A recompensa foi tambem deslumbramentos sem par, além de um beijo, no fim da visita, bem em cheio nos labios, capaz de deixar tonto de orgulho o tzar de todas as Russias.

Para que contar mais o que se seguiu? Como tentar descrever o pasmo de toda a povoação? E, no dia do casamento, o resplendor de Gêgéca, no seu vestidinho branco de cassa fina, todo enfeitado com muitas flôres naturaes de laranjeira? Sabem os leitores se tinha ou não direito de carregal-as.

E o dia da partida? Ella a cavallo, D. Cula em solemne banguê, toda lavada em lagrimas, e o Nhônhô Fructuoso como capataz da tropa?

Ainda hoje se fala de tudo isso em Santa Rita de Cassia.

Quando desfilava o prestito, não poude José Bispo, correspondendo enfarruscado ao cumprimento dos que seguiam viagem, deixar de exclamar:

—Lá se vão as alegrias de Santa Rita!